Quinta-feira, 2 de julho de 2020

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"Tomei tudo e mais um pouco", afirma médico que se curou da Covid-19 com hidroxicloroquina

Rogerio Toniolo ficou 16 dias internado no interior de Mato Grosso

13 Jun 2020 - 17:16

Iury Lupaudi e Maisa Martinelli

Foto: Arquivo pessoal

Depois de passar longos 16 dias internado, o médico oftalmologista Rogerio Mesquita Toniolo, 48 anos, comemorou sua cura da Covid-19 neste sábado (13). Em um vídeo emocionante, ele deixa o hospital, localizado em Sorriso (397 km da capital), em meio a aplausos de profissionais e familiares.
 
Rogerio, que mora em Nova Mutum (239 km de Cuiabá), começou a apresentar os primeiros sintomas no final do mês passado. “Dia 25 de maio comecei a ter uma leve tosse seca. Dia 26 ela acentuou-se no fim do dia, junto com uma dor de cabeça fora do normal. No dia seguinte, tive febre de 38.4º e piorou o meu estado geral, eu estava muito ruim. Ali eu tinha certeza de que era Covid”, contou.

O médico então decidiu cancelar toda a sua agenda, sem previsão de retorno, e isolou todos os familiares. Realizou tomografia de tórax, que revelou manchas tipo vidro fosco, típicas de Covid. Após ter o quadro piorado, foi hospitalizado. Ficou dois dias e meio em Nova Mutum e depois solicitou sua transferência ao Hospital 13 de Maio , em Sorriso.

Durante o tempo que ficou internado, Toniolo apresentava quadros de saúde alternados, com melhoras e pioras frequentes. “Fui para a UTI, depois fui pro quarto, depois voltei para UTI mais 4 dias, e foi assim. Alternando dias de melhora e de piora. Foi muito sofrido. Gasometrias arteriais todos os dias (exame muito dolorido). RXs, 5 Tomografias, exames de sangue todos os dias. Fora a tosse e a forte falta de ar (que era o pior, minha saturação de O2 chegou a 88% na oximetria e a 62% na gasometria arterial). Não foi fácil”, pontuou.

Em seu tratamento, o oftalmologista conta que fez uso do protocolo completo, com Ivermectina, Annita, Hidroxicloroquina, Zinco, antibióticos EV, Anti-coagulante e Pulsoterapia. Ele acredita que o conjunto de medicações, a equipe médica e sua fé foram os fatores determinantes para sua cura. "O que me salvou? O protocolo, os médicos e Deus”, afirmou.

Rogerio reconhece o alto poder de letalidade da doença e a facillidade do contágio. No entanto, o médico considera que as pessoas devem continuar levando suas vidas, de forma responsável. “É preciso enfrentar, com responsabilidade. O vírus não deixará de existir. Não podemos ficar a vida toda em casa. As pessoas precisam trabalhar, pagar as suas contas, as empresas precisam faturar, para manter os empregos, as crianças precisam estudar... Temos que acreditar em Deus, nos médicos e no nosso sistema de defesa e viver, trabalhar, enfrentar a vida de frente, mas com equipamentos de proteção’’, opina.

De sua experiência, Rogerio tirou uma grande lição. “Passar por essa doença nos muda definitivamente. E se meu relato puder ajudar alguém, ficarei muito feliz”, disse ele ao 19 News

Uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19

Embora o oftalmologista tenha utilizado hidroxicloroquina em seu tratatamento, o assunto traz divergências entre grande parte de especialistas. Alguns profissionais consideram que tanto a hidroxicloroquina como a cloroquina podem trazer mais malefícios que benefícios em casos de Covid-19.

A microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natália Pasternak, disse, em entrevista à CNN Brasil, que faltam estudos que comprovem a eficácia do medicamento contra o coronavírus.  "A cloroquina já foi testada para inúmeras outras doenças e viroses e nunca funcionou. Nunca foi um bom antiviral. Até agora, ela era uma droga candidata para tentar auxiliar no tratamento da Covid-19, em uma possível ação antiviral. Vários estudos publicados nas melhores revistas de saúde já demonstraram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não funcionam para pacientes graves, leves ou moderados. A cloroquina não funciona para nenhum momento da doença", afirmou.

Já o cardiologista e PhD pela Universidade de São Paulo (USP), Dante Senra, afirmou à rede televisiva que algumas drogas realmente têm o poder de combater a Covid-19, mas a eficácia da cloroquina só poderá ser comprovada na prática. "Um argumento contrário é que [o uso da cloroquina] pode potencializar os sintomas, mas isso é de todo medicamento e esses efeitos colaterais são mensuráveis. Por isso defendo que não devemos usar cloroquina indiscriminadamente na população geral. Precisa ficar claro que ela não é a cura, não é um passaporte para sair do isolamento, mas é um medicamento que diminui a probabilidade de complicações", argumentou.

Em contrapartida, o reumatologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ricardo Azêdo, acredita que o medicamento assume um protagonismo eficiente no tratamento da doença. "Acho que a hidroxicloroquina tem um papel importante nas fases iniciais [da Covid-19]. Já temos evidências de que a medicação diminui a entrada do vírus na célula, e ela também pode reduzir a resposta inflamatória. Alguns estudos demonstram benefícios interessantes da hidroxicloroquina, entre eles, mostrando que a imagem pulmonar melhorou. A hidroxicloroquina é mais potente e menos tóxica do que a cloroquina. Há bastante evidência indicando a positividade [do medicamento contra o novo coronavírus]. Mas temos que entender que a ciência também tem limitações. Estudos feitos com pacientes internados não vão funcionar porque ela não tem efeito bom com pacientes que estão em unidades intensivas", pontuou.

Covid-19 em Mato Grosso


Segundo o boletim divulgado neste sábado (13) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) Mato Grosso registra 5.739 casos e 199 óbitos por Covid-19. Em Nova Mutum são 130 casos confirmados da doença e quatro óbitos.

Do total de casos, 3.253 estão em isolamento domiciliar e 2.042 estão recuperados. Entre casos confirmados, suspeitos e descartados para a Covid-19, há 165 internações em UTI e 153 em enfermaria. A taxa de ocupação está em 70,8% para UTIs e em 18,7% para enfermarias.


 
 
 

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