Quinta-feira, 16 de julho de 2020

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Uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 causa divergências entre especialistas

Nesta segunda-feira (25), a OMS suspendeu os testes com a hidroxicloroquina em razão de questões de segurança

25 Mai 2020 - 18:00

Redação 19 News

Uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 causa divergências entre especialistas

Foto: Yves Herman/Reuters

Depois que o Ministério da Saúde publicou um novo documento sobre o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 no último dia 24, surgiram várias divergências em relação a sua eficácia contra a doença.

A nova recomendação é que a medicação seja aplicada também nos casos leves, ficando a critério do médico. Até então, a orientação do Ministério da Saúde era de que o emprego do medicamento fosse realizado somente em casos de média e alta gravidades.

O médico brasileiro Cleyton Yamamoto, formado em emergências médicas pela Universidade de Buenos Aires, afirma que não há nenhuma comprovação de que o remédio é eficiente no combate à enfermidade.

“Não está comprovado que a hidroxocloroquina é antiviral. Há quatro estudos que não recomendam. O último avalia todos os estudos que também não recomendam. Na verdade, nenhuma sociedade médica e científica recomendam seu uso’, afirmou ele ao 19 News.

O farmacêutico, bioquímico e doutor em doenças infecciosas pela Universidade Federal do Espírito Santo, Pedro Souza, disse ao 19 News que, por não ser um remédio antiviral, a hidroxicloroquina deve ter uma dosagem um pouco mais alta para se ter o efeito desejado contra o coronavírus.

“A dose para que ocorra o efeito antiviral, de um medicamento que não tem essa finalidade, tem que ser um pouco mais alta. Isso é um dos grandes posicionamentos que todo mundo faz, porque a hidroxocloroquina tem um efeito terapêutico muito próximo da dose tóxica. Então, esse é mais um efeito contra a hidroxocloroquina”, esclareceu o profissional.

“A forma mais segura é realmente avaliar - e isso não é antiético  e não está fora dos padrões de exames clínicos e nem de estudo nenhum- de avaliar novas estratégias de tratamento, comparado a tratamentos convencionais  que a gente utiliza na prática clínica”, contextualizou Souza.

O tema vinha sendo objeto de debates no governo, entre autoridades de saúde e entre pesquisadores. O presidente da República, Jair Bolsonaro, havia se pronunciado diversas vezes a favor do uso do medicamento. Os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich discordavam do  presidente na questão do uso da cloroquina nos casos de covid-19.

Nesta segunda-feira (25), no entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu os testes com a hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 em razão de questões de segurança, conforme informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Além de Jair Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também aponta o medicamento como um possível tratamento para a doença causada pelo coronavírus. 

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