Sábado, 6 de junho de 2020

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A Covid-19 pode ser transmitida pelos alimentos?

Saiba se é possível a propagação do vírus através dos alimentos

04 Mai 2020 - 12:42

Redação 19 News

A Covid-19 pode ser transmitida pelos alimentos?

Foto: Freepik

Com a necessidade do distanciamento social devido à pandemia do coronavírus, muitas pessoas têm preferido pedir refeições pelos aplicativos, como Ifood e Uber Eats. A facilidade de entrega e as mais diversas opções de cardápios são alguns dos principais atrativos que fazem grande parte da população optar por esse método na hora de se alimentar. Mas o que muitas pessoas ainda têm dúvidas é: a Covid-19 pode ser transmitida pelos alimentos?

De acordo com a professora Sally Bloomfield, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, não há evidências de que haja transmissão do vírus por meio de alimentos e que o cozimento completo eliminaria qualquer vestígio. No entanto, o cuidado com as embalagens deve ser redobrado, já que elas, sim, são meios de contágio.

Por isso, para produtos embalados, Bloomfield aconselha armazenar "por 72 horas antes de usá-las ou pulverize e limpe os recipientes de plástico ou vidro com alvejante (com cuidado para diluir conforme indicado na embalagem)".

"Para produtos frescos e sem embalagens, que podem ter sido manuseados por qualquer pessoa, lave bem em água corrente e deixe secar", esclareceu Sally.

Os professores Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco, Mariza Landgraf e Uelinton Pinto, do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center - FoRC), da Universidade de São Paulo, que são especialistas em microbiologia de alimentos, divulgaram um texto, com o intuito de esclarecer a população, apresentando informações científicas sobre o papel dos alimentos na transmissão do coronavírus.

“A via de transmissão mais importante do novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19, é através de gotículas e outras secreções (catarro, por exemplo) que saem do trato respiratório superior (boca e nariz) de uma pessoa já doente ou de um portador assintomático, que atingem as mucosas (olhos, nariz e boca) de outras pessoas, causando a doença. A transmissão pode ocorrer também pelo contato das mãos com superfícies contaminadas com o vírus, que pode ser transferido para os olhos, nariz e boca”, informa o texto.

De acordo com os especialistas, nos surtos anteriores  dos coronavírus SARS-CoV e MERS-CoV não houve transmissão do vírus pelos alimentos e com a Covid-19 deve ocorrer o mesmo.  

Dicas para manter o vírus longe da cozinha e dos alimentos

Apesar da improbabilidade do contágio pela comida, os especialistas Food Research Center - FoRC recomendam algumas medidas simples que podem evitar a transmissão pelas embalagens dos produtos e/ou superfícies:

1. Limpeza das mãos e pulsos

Antes de manusear qualquer alimento é fundamental lavar as mãos corretamente com sabão/sabonete e bastante água corrente, não esquecendo das regiões entre os dedos, pontas dos dedos, dorso das mãos, pulsos e antebraços.

 2. Limpeza na cozinha

Bancadas, pias, louças e demais utensílios devem estar sempre limpos e secos, sem resíduos de alimentos. Geladeiras, freezers, fornos, fogão e demais eletrodomésticos devem ser limpos e higienizados com regularidade, com água, sabão e sanitizantes ou água sanitária. O mesmo vale para as paredes, chão e tetos. Esses procedimentos evitam a presença dos micro-organismos indesejáveis na cozinha, inclusive o coronavírus SARS-CoV-2. Evitam também a contaminação cruzada, ou seja, a transferência de microorganismos do ambiente ou de alimentos contaminados para alimentos não contaminados, muito frequente nas geladeiras mal higienizadas. 

 3. Cuidados com os alimentos em casa

Para alimentos que serão consumidos crus, como os vegetais folhosos, a recomendação é remover as folhas externas ou danificadas, separar as folhas uma a uma, lavá-las com água tratada abundante e deixá-las em imersão, por 15 minutos, em uma solução de água sanitária (uma colher de sopa diluída em um litro de água), lavando-as depois com água tratada corrente novamente. Para vegetais não folhosos e frutas a serem consumidos com a casca, o procedimento deve ser o mesmo. Os produtos comerciais à base de cloro para desinfecção de vegetais são eficientes para eliminar a contaminação microbiana. Esses procedimentos são eficientes contra bactérias e vírus também. Não usar água sanitária com outras substâncias na sua composição, pois podem ser tóxicas para o organismo humano. O vinagre para fins culinários não tem efeito sanitizante e não deve ser usado para este fim.

 4. Cuidados com as refeições prontas para consumo fornecidas por entrega domiciliar

Para proteger os consumidores e também seus funcionários, os restaurantes e serviços de alimentação optaram por entregas em domicílio ou retirada de refeições em balcões de atendimento ou por drive-thru. Embora a preparação de refeições em estabelecimentos comerciais deva seguir as boas práticas determinadas pela legislação (RDC 216/2014 em nível Federal; Portaria CVS-5/2013 para o Estado de São Paulo e Portaria 2619/2011 para o município de São Paulo), o momento impede que a fiscalização seja feita de forma eficaz. Assim, cabe ao consumidor proteger a sua saúde e prestar atenção nos seguintes detalhes:

a. Encomenda: dar preferência a restaurantes e serviços de alimentação de confiança, sempre que possível. Fazer encomendas diretamente a estes estabelecimentos, por telefone ou aplicativos, evitando a interferência de intermediários desconhecidos.
 
b. Embalagem: sempre que possível, dar preferência às embalagens de papelão, pois o que sabe até agora é que os coronavírus resistem menos tempo na superfície de papel do que em outras superfícies, como plástico e metal (alumínio, por exemplo). Antes de abrir uma embalagem, é importante lavar as mãos e, em seguida, aplicar um sanitizante. Não consumir nenhuma refeição que chegar com a embalagem danificada ou violada.

 c. Temperatura: verificar se a temperatura da refeição está correta. Alimentos quentes tem que chegar quentes nos domicílios e aqueles refrigerados também precisam chegar a temperaturas abaixo de 8C.

 d. Tempo: verificar se o tempo de entrega está de acordo com o acertado com o fornecedor. Não aceitar demoras acima de uma hora, pois pode haver multiplicação de outros micro-organismos que podem causar gastroenterites ou intoxicações alimentares.

 e. Entregador: recomenda-se evitar o contato direto com o entregador de refeições porque ele leva refeições para vários domicílios, e pode ser um portador de coronavírus sem que saiba disso. As empresas de entregas em domicílio estão recomendando que os entregadores higienizem suas mãos com álcool em gel, que é um cuidado que diminui o risco, mas não o elimina totalmente. Algumas empresas também recomendam que os entregadores usem luvas, mas esse é um procedimento muito perigoso, pois pode dar uma falsa sensação de segurança, levando o entregador e também o consumidor a relaxar nos cuidados de higiene.

 f. Pagamento: dar preferência a pagamentos remotos por aplicativos. Não manusear dinheiro e muito cuidado com as máquinas de pagamento com cartões, elas podem estar contaminadas com o coronavírus SARS-CoV-2 ou com outros micro-organismos causadores de doenças.
 
g. Consumidor:
recomenda-se consumir refeições prontas, retiradas no local de produção ou entregues por um entregador, o mais rápido possível (menos de 1 h), para evitar multiplicação de micro-organismos que possam causar gastroenterites ou intoxicações alimentares. Cuidado extra deve ser tomado com refeições destinadas a pessoas com o sistema imune comprometido, como gestantes, recém-nascidos, crianças pequenas, pessoas com outras doenças e idosos, pois essas pessoas são alvos mais fáceis dos vírus e outros micro-organismos causadores de doenças. Vale destacar, mais uma vez, que os vírus são rapidamente eliminados se não estiverem dentro de um ser vivo, ou seja, o coronavírus SARS-CoV-2 não se multiplica em alimentos ou em suas embalagens. Alimentos e embalagens são apenas veículos do vírus.

 h. Sobras: recomenda-se comprar apenas o que será consumido imediatamente. Evitar armazenar sobras destas refeições e, quando isso for necessário, mantê-las refrigeradas por, no máximo, 24 horas. Não é recomendável congelar essas refeições prontas no freezer ou congelador, para consumo posterior, porque o descongelamento e novo aquecimento podem comprometer sua qualidade e segurança.
 
i. Higiene pessoal: lavar as mãos antes e depois de consumir qualquer alimento. 
 
5. Cuidados com as compras de mantimentos em pontos de venda com entrega domiciliar

Até o momento, não há nenhuma legislação brasileira reguladora da entrega domiciliar de mantimentos. A recomendação de não entrar em contato direto com o entregador dificulta que o consumidor tenha controle sobre os mantimentos que compra dessa maneira. Assim, para assegurar a proteção de sua saúde, tanto em relação ao coronavírus SARS-CoV-2 e, principalmente, outros micro-organismos causadores de gastroenterites e intoxicações alimentares, o consumidor deve precaver-se e observar os seguintes pontos:

 a. Encomenda: dar preferência a pontos de venda de confiança, sempre que possível. Fazer encomendas diretamente a estes estabelecimentos, usando o telefone ou aplicativos, evitando a interferência de intermediários desconhecidos.

b. Embalagens: verificar se os mantimentos estão protegidos, embalados separadamente, em embalagens apropriadas. Alimentos perecíveis crus, como carnes e pescado, devem estar em baixa temperatura e embalados de forma segura, de modo que não haja vazamento de líquidos. Laticínios, como iogurtes, manteiga, queijos etc., devem estar em suas embalagens originais, e não apresentar qualquer alteração. Frutas e verduras devem estar íntegras, embaladas em sacos ou recipientes plásticos ou de papel ou papelão, de uso único, sem qualquer dano. Produtos processados (enlatados, conservas, panificados etc.) devem estar íntegros, e não apresentar alteração, inclusive nos recipientes.

 c. Alimentos congelados: verificar se continuam congelados no momento da entrega e há gelo no interior das embalagens. A presença de gelo indica que o produto descongelou e foi congelado novamente, o que pode comprometer sua segurança e qualidade. Os produtos congelados que não forem consumidos logo podem ser colocados no freezer ou congelador, mas suas embalagens devem ser desinfetadas antes. Uma vez descongelados, devem ser consumidos o mais rápido possível, geralmente em menos de 24h se mantidos em refrigeração.

d. Alimentos de risco alto: lembrar que alimentos “prontos para consumo” são os que apresentam maior risco porque, antes de serem consumidos não são submetidos a algum tratamento que possa reduzir ou eliminar a contaminação microbiana presente. Por isso, deve-se evitar usar os serviços de entrega domiciliar para a aquisição de alimentos prontos para consumo que sejam de alto risco, a exemplo de pescados crus (sushi, sashimi, ostras etc.).

e. Prazo de validade: verificar cuidadosamente se os produtos adquiridos estão dentro do prazo de validade. Devolver ou descartar aqueles que estejam com o prazo de validade vencido.

 f. Higiene do entregador e do contêiner onde os alimentos são transportados: apesar da recomendação de evitar o contato direto, é possível observar se o entregador está com roupas limpas e com a higiene pessoal em dia. Os contêineres de transporte dos alimentos, feito por motocicletas ou outras formas, devem estar limpíssimos, sem resíduos de alimentos, bolores e outras sujidades, e usados exclusivamente para transporte de alimentos. As empresas de delivery estão recomendando a desinfecção periódica desses contêineres, e o entregador deve ser cobrado a esse respeito, sempre que possível. 

g. Quarentena: é errado manter os mantimentos adquiridos por entrega domiciliar em “quarentena”, fora de casa ou da cozinha, em temperatura ambiente. Este procedimento, recomendado em países com clima muito diferente do brasileiro, pode comprometer seriamente a qualidade e segurança dos alimentos, que podem estragar ou provocar gastroenterites e intoxicações alimentares. O correto é receber os mantimentos, higienizar as embalagens e os produtos e fazer o armazenamento em temperatura e tempo adequados, conforme recomendado acima.  

Com informações do site Alimentos Sem Mitos

 

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