Terça-feira, 15 de outubro de 2019
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Interceptações confirmam mulher na chefia de grupo e "inveja" de submissos

05 Jun 2019 - 09:54

WELINGTON SABINO - FOLHAMAX

Interceptações confirmam mulher na chefia de grupo e

Foto: Reprodução

Diálogos extraídos de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça foram essenciais para a Polícia Civil identificar cada um dos 20 integrantes e suas funções dentro da organização criminosa Ello/FMC, chefiada pelo empresário Frederico Müller Coutinho, o “DOM”, que disputava espaço do jogo do bicho em Mato Grosso com o grupo chefiado pelo ex-comendador João Arcanjo Ribeiro. As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e Delegacia Fazendária que resultaram na deflagração da Operação Mantus, nesta quarta-feira (29), identificaram que Indinéia Moraes Silva, cujo apelido é “Jones”, era a número 2 no comando.

Ela era a gerente financeira e desempenhava a função de “Caixa Central”, ficando responsável pela arrecadação de todos os valores movimentados. Ou seja, todo o dinheiro de apostas de jogo do bicho no Estado, passavam por suas mãos antes de chegar ao “chefão”. 

Hierarquicamente, “Jones” só estava abaixo de Coutinho e se mostrava fiel a ele a ponto de utilizar sua conta pessoal para movimentar valores expressivos, resultados de apostas enviadas por outros integrantes do grupo atuantes em várias cidades mato-grossenses. Por outro lado, ela também despertava sentimentos de “inveja e insatisfação” em outros integrantes da organização criminosa que criticavam a forma como administrava o caixa do grupo. 
A posição central de “Jones” é reforçada por conversas travadas entre outros integrantes da organização criminosa. Em um dos trechos consta um diálogo entre Dennis Rodrigues de Vasconcelos e Glaison Roberto Almeida Cruz, onde eles criticavam a forma como a número 2 no comando agia. Ambos concordam que ela deveria se organizar melhor como “Caixa Central”, mantendo uma reserva no caixa para não ficar zerado, o que não acontecia. 

“Você imagina o caixa central não ter duzentos reais, o caixa, o caixa de Rondonópolis, o caixa de Campo Verde, o caixa de não sei onde, o caixa de não sei onde, tudo tem dinheiro, o caixa central não tem nada. É um trem meio de louco, já falei pra ela. Falei: cara, você sofre porque às vezes ela abre o coração pra mim ‘não aguento mais, é um desespero por causa de dinheiro, que não sei o quê’, e eu falo cara a culpa é sua, a culpa é sua, entendeu, tem dez, tem doze, não mande, mande oito, mande nove, segura três, entendeu. No outro dia entrou mais seis, mande os seis, ai você tem três no seu caixa, vai fazendo caixa”, diz Dennis. 

Glaison concorda: “Ela tem que fazer uma reservinha, agora ela acha, acho que ela faz bonito, tem doze mil vou mandar os doze...ai".

Dennis complementa: “Mas é isso mesmo, ai sabe o que acontece, aí ela".

Glaison diz: “Mandei doze mil doutor”. E Dennis prossegue: “Aí ela chega mandei doze mil, ‘que é isso hein Jones, você é foda’... beleza”. 

Após imaginarem o diálogo entre “Jones” e o chefão “DOM”, onde hipoteticamente ela tentaria mostrar eficiência ao mandar altos valores ficando sem reserva em caixa, os dois continuam as críticas. “Aí no outro dia não tem duzentos reais pra pôr gasolina no carro dela”, diz Glaison. 

Dennis vai adiante e ressalta que após isso, outros membros do grupo começam acionar “Jones” pedindo dinheiro e ela fica estressada por não ter nada em caixa. “Aí vira as costas ficou por isso, aí chegou a hora começam a ligar pra ela, ‘ôh, Jones, eu precisava de quinhentos pro fulano viajar, ah precisava de cem pra pagar uma conta não sei o quê’. Ai ela começa a ficar puta e começa a dar coice em todo mundo, ‘que não tem, eu não tenho, e se quiser que saia’, entendeu, falo rapaz...entendeu...”. 

Glaison diz que “é tudo falta de organizar, tudo falta de organização”. Por sua vez, Dennis relata que fez criticas diretas a "Jones", afirmando que ela precisa aprender a administrar melhor, mas ela reagiu, demonstrando que não gostou de ser contestada. “Agora tudo eu falo né, não faz caixa, não sabe pedalar, entendeu, ela ficou com uma cara, eu acho que eu tô quase pegando ela no pulo cara, porque... porque esses dias ela não tinha dinheiro pra botar crédito em máquina...aí eu falei ‘que vergonha hein Jonhes, mas não sabe pedalar, não sabe administrar, entendeu, faz papel de tesoureira, não sabe ser financeira”, rapaz do céu ela tá ficando só o ódio...ontem ela tentou espanar comigo”, conta Glaison na conversa interceptada. 

Conforme dos delegados da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o envolvimento de Edinéia na organização criminosa também foi averiguado por meio da quebra de sigilo bancário que apontou diversas transações financeiras entre as contas bancárias de titularidade de Indinéia e da empresa Müller Coutinho Assessoria de Cobrança, no valor de R$ 27,4 mil, fracionado em 22 transações. 

Também foram constatadas transferências entre a conta bancária de Indinéia e de vários outros integrantes da organização criminosa, tais como Werichi Maganha dos Santos (marido de Patrícia), Laender dos Santos Andrade e Katia Mara Ferreira Dorileo. Outra movimentação em sua conta bancária no valor de R$ 188,2 mil chamou atenção dos investigadores. Desse valor, R$ 124,4 mil se refere a inúmeros depósitos em dinheiro, não identificados. 

OPERAÇÃO MANTUS 

Na Operação Mantus, que desarticulou dois grupos criminosos que atuavam no ramo do jogo do bicho e disputavam espaço entre si, a Polícia Civil cumpriu 63 decisões judiciais decretadas pelo juiz Jorge Tadeu Rodrigues, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Desse total, foram 33 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão. 

Na Ello/FMC, chefiada por Coutinho, foram identificadas 20 pessoas que tiveram a prisão decretada. Além da liderança, o grupo criminoso contava com dois gerentes em Cuiabá e Rondonópolis, além da Gerência de Campo Verde. 

Ainda tinham empresas que davam apoio a organização e os recolhedores de dinheiro. Apesar de “novata”, em comparação à Colibri, de João Arcanjo Ribeiro, o grupo liderado por “DOM”, um dos delatores da “Operação Sodoma”, movimentou uma expressiva quantia de dinheiro em pouco mais de um ano. 

VEJA LISTA DE PRESOS:

Adrielli Marques

Agnaldo Gomes Azevedo

Aldemar Ferreira Lopes

Alexsandro Correia

Augusto Matias Cruz

Breno Cesar Martins

Bruno Almeida dos Reis

Bruno Cesar Aristides Martins

Dennis Rodrigues Vasconcelos

Edson Nobuo Yabumoto

Eduardo Coutinho dos Santos

Frederico Muller Coutinho

Giovani Zem Rodrigues

Glaison Roberto Almeida 

Haroldo Clementino Souza 

Indineia Moraes Silva

João Arcanjo Ribeiro

João Henrique Sales de Souza

José Carlos de Freitas

Kátia Maria Ferreira Dorileo

Laender dos Santos Andrade

Madeleinne Geremias de Barros

Marcelo Conceição Pereira

Marcelo Gomes Honorato

Mariano Oliveira da Silva

Noroel Braz de Costa Filho

Patrícia Moreira Santana

Paulo Cesar Martins

Ronaldo Guilherme Lisbo dos Santos

Rosalvo Ramos de Oliveira

Sebastião Francico da Silva

Valcenir Nunes Inerio

Werechi Maganha dos Santos

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