Quinta-feira, 16 de julho de 2020

Artigos / Frankes Siqueira

Como está a educação em tempos de pandemia?

Doutor em Cultura analisa o ensino longe da sala de aula.

28 Abr 2020 - 15:51

Se existe um ambiente onde a igualdade social está presente, esse é a sala de aula. E é simples de explicar, pois nesse ambiente os alunos recebem as mesmas informações, com o mesmo material humano e didático, e em tese são avaliados de forma isonômica. Na escola se aprende uma outra forma de pensar, agir, se comportar e colocar em prática a responsabilidade social. No entanto, o efeito da pandemia do novo coronavírus tem derrubado essa que é uma das únicas ferramentas assertivas como igualador social.

Nos tempos de distanciamento social, cresce a corrente de pais e educadores que defendem a ideia de uma repetência generalizada, pois a cada dia o retorno as aulas parece ainda mais distante, e tudo por conta do medo do desconhecido. Na minha visão, uma repetência total poderia estigmatizar os jovens estudantes de 2020, causando problemas emocionais em uma geração já fragilizada emocionalmente.

Contrário a isso, acredito que a saída seja a transformação dos modelos de aprendizagem como desafio para as instituições de ensino, em encontrar formas de analisar os alunos com menos recursos para que os mesmos continuem aprendendo.

Nesse desafio, o papel central cabe novamente a nós professores, pois somos nós que devemos agir como mentores desses jovens, mesmo que a distância. Se não agirmos pro ativamente em auxilio aos jovens, teremos salas de aula muito discrepantes no retorno à normalidade, com alunos que tiveram um enriquecimento intelectual graças ao apoio das famílias, contrastando com jovens desmotivados que não conseguiram avançar intelectualmente.

Andreas Scheleicher responsável pelo relatório PISA – que mede o nível de conhecimento dos alunos de 75 países em ciências, matemática e literatura – afirmou na última semana ao jornal El País que “ o custo social do fechamento das escolas é dramático e a lacuna de desigualdade vai aumentar”.  A solução para mitigar tal previsão é envolver as famílias, e aí teremos um foço separando ainda mais as pessoas, pois as famílias que tem um poder aquisitivo maior, poderão compensar com cursos e aulas extracurriculares, o que dificilmente acontecerá com as famílias de menor renda. Nessa equação a pergunta que fica é: Como os governos irão assegurar uma educação de qualidade para todos?

Aponto aqui duas saídas que poderão auxiliar na resolução desse gravíssimo problema, que é tão devastador como o ataque pandêmico. Uma primeira saída é o investimento maciço em plataformas de aprendizagem a distância, como na China por exemplo, que está investindo em tecnologias que atendem cinquenta milhões de alunos simultaneamente para que mesmo com o distanciamento, haja a possiblidade de aprendizagem.  

Uma segunda saída é a questão colaborativa entre os professores, e novamente cito o exemplo chinês onde os profissionais da educação não estão se limitando apenas a orientar que os alunos usem as plataformas, mas estão se comunicando diariamente com os alunos para entender suas necessidades e os que não tem acesso a internet, recebem o material didático organizado pela escola.

O ensino on-line é crucial para o futuro, e o envolvimento em conjunto dos docentes será imprescindível para uma educação de qualidade. Entendo que temos que respeitar a autonomia dos professores, mas neste momento precisamos mais do que nunca fomentar a cultura colaborativa e não esperar as instruções dos governos. 

Os líderes de cada escola precisam se conectar aos professores de diferentes comunidades a fim de que se alcance o sucesso, pois o futuro do nosso país depende da educação, e as escolas de hoje serão a economia de amanhã.

Frankes Siqueira

Frankes Siqueira
Doutor em Cultura Contemporânea e professor.
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